“Você é acordado por um barulho vindo das paredes do quarto, que acendem do chão ao topo, como imensos televisores . Nelas, um rosto feminino avisa de uma reunião de emergência no trabalho e o apressa a ir até o banheiro. Enquanto lava o rosto, centenas de sensores microscópicos espalhados pela pia analisam moléculas de seu hálito e fluidos corporais para checar sinais de doença. Células relacionadas a qualquer tipo de tumor expelidas pelo seu corpo acionariam um alarme.
Outros sensores, acoplados a sua cabeça, lêem freqüência cerebral e fazem com que a força do pensamento seja o suficiente para mudar a temperatura do quarto, fazer tocar sua música favorita e mandar um robô preparar o café da manhã. Com os mesmos sinais cerebrais, você faz o computador central da casa tirar moveis de seu caminho até a cozinha, por meio de poderosos imãs. Após a refeição, suas lentes de contato se conectam à internet num piscar de olhos e projetam as principais notícias do dia em suas retinas. Ao término de arrumar, um comando mental faz com que o carro o espere em frente a porta. Ele não tem rodas e flutua levemente, por conta do pavimento supercondutor magnético. Você ainda tira uma pestana enquanto o automóvel sozinho escolhendo o melhor caminho entre o trânsito e o escritório.
Isto não é um roteiro de filme de ficção científica, mas um resumo das tecnologias que farão parte de nosso cotidiano até 2100, de acordo com um dos mais proeminentes físicos da atualidade. Fazem parte do livro Physics of the Future (Física do Futuro, sem edição no Brasil), lançado em março por Michio Kaku, um dos pais da teoria de cordas (que tenta unificar as explicações físicas sobre o universo). Graduado com as maiores condecorações de Harvard e com Ph.D. em Princeton, o americano de origem nipônica Kaku, 64 anos, é um cientista pop, digamos, com três best-sellers publicados e uma série de participações em documentários, além de figura fácil no rádio e na televisão.”
Revista Galileu 238 – maio 2011
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